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Proposta de compra da Xerox foi negada “por unanimidade” pelo board da HP

De acordo com conselho da empresa, proposta não é de interesse dos acionistas e poderia desvalorizar as ações da HP

A novela sobre a possível compra da HP pela Xerox acabou sem final feliz. Nesse domingo, o conselho de diretores da HP Inc. divulgou uma carta aberta (em inglês) "rejeitando por unanimidade" a proposta.

A carta foi uma resposta ao pedido feito pelo CEO John Visentin formalizando a oferta feita pela Xerox, avaliada em US$ 33 bilhões. Além de recusar categoricamente que as negociações continuassem, o board acredita que a aquisição poderia desvalorizar de forma significativa a HP.

Para tomar a decisão de recusa, o conselho afirma que também "considerou a natureza altamente condicional e incerta da proposta, incluindo o impacto potencial dos níveis de dívida extrapolados sobre as ações da empresa combinada".

Por fim, carta enviada ao CEO apresenta o fato de que, nos últimos 12 meses, a receita da Xerox caiu em US$ 1 bilhão (indo de USD 10,2 bi para US$ 9,2 bilhões) como uma ressalva de que a empresa não estaria no melhor momento para gerar valor à HP.

Vale dizer que o board reconheceu que a fusão teria valor estratégico, mas pede a Visentin que pense em outras formas de associação que não a compra.

Fator financeiro pesou

A notícia sobre uma possível união entre as empresas ganhou os holofotes no início do mês, quando a oferta da Xerox ainda não havia sido divulgada pela HP e o rumor estava mais para especulação.

Na análise do mercado, a compra seria benéfica para ambas as empresas pois ambas atuam em pontas diferentes do mesmo mercado — a Xerox, para empresas e a HP Inc. para o consumidor final.

Porém, como a HP conta com uma estrutura quase três vezes maior do que sua possível compradora, a Xerox teria que levantar uma soma significativa de financiamento, o que poderia fazer com que a fusão se iniciasse com dívidas que poderiam comprometer o caixa de ambas as marcas para investimentos e pesquisas.

Ao menos por enquanto, uma aquisição não deve ser vista ao menos no curto ou médio prazo. Mas a oferta pode ter aberto espaço para outros tipos de parceria. Resta acompanhar como as empresas vão agir nos próximos meses.