NEGÓCIOS E TI

Com AI, setor de serviços corporativos pode criar 26 milhões de empregos até 2030

Estudo da DuckerFrontier, encomendado pela Microsoft, projeta o mercado de trabalho no Brasil em caso de adoção 'máxima' de tecnologias cognitivas

Há grandes chances de que uma inteligência artificial possa assumir boa parte das funções do seu trabalho ou, até mesmo, a de ocupações inteiras. Mire-se no exemplo da Revolução Industrial, que automatizou boa parte da mão de obra nas indústrias, e a revolução cognitiva se encarregará de fazer o mesmo. Mas não na mesma velocidade que se ocupou a manufatura. Desta vez, será uma velocidade exponencial.

"Muitos CEOs estão aflitos, porque acham que tem menos de quatro anos para finalizar a transformação digital. Mas é mais sério que isso, pois não tem uma data limite. Todos os dias, será preciso se reinventar”, sentencia Tânia Cosentino, presidente da Microsoft Brasil, durante o Microsoft AI+ Tour, evento da companhia realizado nesta segunda-feira (11), em São Paulo.

A revolução cognitiva liderada pela ascensão da inteligência artificial pode, às vezes, parecer como um horizonte distante. Mas coisas que, hoje, soam corriqueiras ao usuário final, como aplicativos de geolocalização, de reconhecimento de imagem ou até mesmo os comandos triviais dados a um assistente digital, são suportados por inteligência artificial. Neste contexto, onde a digitalização é imperativa, Tânia reforça a urgência da recapacitação profissional. “Cerca de 65% das crianças que entram hoje nas escolas vão trabalhar em profissões que não existem hoje”, destaca a executiva citando estudo do Fórum Econômico Mundial.

O futuro do trabalho com AI

Para projetar como pode ser um possível mercado de trabalho coabitado com a inteligência artificial em 2030, a Microsoft encomendou um estudo à consultoria americana DuckerFrontier. Nele, simula-se um cenário “ideal” de adoção máxima de tecnologias cognitivas atuais (serviços como nuvem, analytics, conectividade e machine learning entram aqui). Leva-se em consideração este cenário para projetar o mercado de trabalho brasileiro nos próximos 10 anos, assim como a nossa economia.

Segundo a simulação, a conclusão é que o mundo inteligentemente “artificial" seria muito mais generoso que este onde estamos inseridos. De acordo com o estudo O impacto da IA no mercado de trabalho, só o setor de serviços corporativos poderia ser responsável, em 2030, por criar 26 milhões de novos empregos. Atualmente, o Brasil pesa 12,6 milhões de desempregados, segundo dados mais recentes do IBGE.

“Tendo em vista que empresas serão aquelas mais inclinadas a investir [em tecnologia], elas precisarão de serviços de marketing, financeiro, legais, TI. Este setor triplicaria [impulsionado pela inteligência artificial]”, ressalta Pablo Gonzalez, diretor da DuckerFrontier. “O estudo busca desmistificar o impacto da IA no trabalho”, complementa Gonzalez se referindo ao senso comum de que a automação irá roubar postos de trabalho.

Outros setores que teriam ganhos importantes na criação de empregos novos com a adoção de AI seriam o de manufatura (+73% em criação de novos empregos), o setor de comércio varejista, atacadista, hotelaria e alimentação (+44%), e o da construção (+42%).

Ao criar-se novos postos de trabalho dada à automação e à sofisticação de empregos relacionados à tecnologia, haverá um “efeito cascata”. "Não só empregos ligados a novas tecnologias serão criados, mas também há geração de postos de trabalho em outros setores como consequência do maior gasto na economia por parte de funcionários altamente qualificados”, destaca o estudo.

Haverá uma grande demanda por mão de obra altamente qualificada, ressalta a DuckerFronteir, que beneficiaria a todos os setores da economia, totalizando uma demanda adicional de 17,7 milhões de empregos para esse perfil profissional (+50% de crescimento em emprego de alta qualificação em relação aos prognósticos atuais). As vagas com maior demanda serão concentradas entre profissionais liberais, técnicos de nível médio, e gerentes. Neste cenário, a participação total de empregos de alta qualificação aumentaria de 34% para 54% do emprego total do País.

As simulações da DuckerFrontier consideram não só o setor privado corporativo, como também as áreas de serviços públicos, comércio varejista, atacadista, hotelaria e alimentação, construção, manufatura, mineração, água e energia, e agricultura e pesca para chegar a um cenário “mais otimista”.

A adoção máxima de AI no País em todas essas áreas da economia têm o potencial, segundo a projeção, de aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) para 7,1% ao ano até 2030. Trata-se de um aumento superior à projeção de 2,9% de crescimento do PIB feita pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no mesmo período.

De olho na recapacitação

Gonzalez e Tânia ressaltam que um horizonte de dez anos com um crescimento exponencial de empregos só será sustentado pela recapacitação profissional das gerações que já estão no mercado de trabalho e na renovação das disciplinas orientadas à matemática no ensino básico e fundamental.

Entre as iniciativas da Microsoft voltadas para o ensino de habilidades digitais está a plataforma aberta de conteúdo – o AcademIA – que oferece gratuitamente cursos em português focados em IA, desde a introdução à tecnologia à linguagem de programação e aplicações. Os alunos também podem obter certificação nestes cursos.

Além do AcademIA, a Microsoft lançou o AI Business School, uma plataforma gratuita em português com cursos de negócios e por indústria, dedicados a líderes que querem aprender mais sobre IA e tecnologia.

“É um grande ponto de preocupação. Cerca de 30% das posições de TI estão permanentemente abertas. A gente forma metade dos profissionais que o mercado necessita”, ressalta a presidente da Microsoft Brasil citando dados da consultoria IDC.